Cuidar  da saúde de uma criança já nos primeiros meses de vida é de extrema importância, tendo em vista que, nessa fase da vida, alguns problemas já podem ser antecipados por meio de exames. Na fonoaudiologia não é diferente, já que a área também reforça a necessidade do diagnóstico precoce, evitando danos mais graves àsaúde que poderão aparecer anos mais tarde.

“Desde os primeiros dias de vida de um bebê, a fonoaudiologia pode contribuir para diagnosticar, precocemente, patologias, assim como iniciar o tratamento adequado para cada caso. Desta forma, podemos evitar ou dirimir as consequências que poderão prejudicar essa criança no futuro”, ressalta a presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), Irene Marchesan.

Uma das formas de diagnóstico que ainda não é tão conhecida pelas mães é oteste da linguinha, uma avaliação simples do frênulo da língua para verificar se o mesmo está preso, dificultando a amamentação. O teste é simples, rápido, não dói e pode ser realizado por qualquer profissional da área da saúde que esteja habilitado para isso.

“Durante o teste, eleva-se a língua do bebê para verificar se o frênulo está preso muito próximo da ponta da língua. O teste é totalmente indolor e não tem necessidade de nenhum equipamento ou instrumento”, explica Irene.

Recomendações e importância da avaliação

As provas básicas do teste da linguinha podem ser realizadas desde que o bebê nasce, mas o teste completo é mais facilmente aplicado a partir do primeiro mês de vida. A avaliação pode ser realizada em qualquer idade, porém, quanto mais precocemente é feita, melhor para que a amamentação não seja trocada pela mamadeira.

“Se o bebê tem a língua presa, ele vai mamar com dificuldade e não ganhará peso. Fatalmente, a mãe será orientada a introduzir a mamadeira, o que é uma pena, já que o leite da mãe é o ideal nessa faixa de idade. Além disso, devemos lembrar que, se a língua permanecer presa, a criança vai falar de forma alterada e, no futuro, poderá ter problemas emocionais por ser ‘gozada ou imitada’ ou mesmo problemas em seu futuro trabalho”, destaca a especialista.

Obrigatoriedade do procedimento

Atualmente, o teste da linguinha já é obrigatório em alguns municípios paulistas, como Brotas, Rio Claro e Ourinhos, onde foram aprovadas leis garantindo a obrigatoriedade da oferta da avaliação. Em outros nove Estados, há propostas de lei estadual, além de um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados propondo a lei federal.

“Acho importante a obrigatoriedade da oferta do teste da linguinha nos serviços de saúde, para melhorar aqualidade de vida dos bebês e de suas mães, num primeiro momento, e posteriormente para evitar alterações de fala que poderão comprometer o relacionamento pessoal e o desenvolvimento profissional”, opina a também fonoaudióloga Roberta Martinelli.

Além da importância do teste da linguinha, Roberta ainda chama a atenção para a realização de outras avaliações importantes, como a da orelhinha, que é de enorme relevância para a detecção precoce de perdas auditivas.

Dra. Irene Marchesan é fonoaudióloga formada na PUC de São Paulo em 1977. Fez especialização, mestrado  e doutorado na área da Motricidade Orofacial. Professora de vários cursos de graduação e de pós-graduação. Publicou vários livros e artigos na área da Motricidade Orofacial. Atualmente é presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Roberta Martinelli é membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, fonoaudióloga clínica, especialista em Motricidade Orofacial e mestre em Ciências pela USP. Docente do CEFAC Saúde e Educação.

Escrito por Dra. Irene Marchesan e Roberta Martinelli
Qua, 26 de Junho de 2013 11:19